sexta-feira, 9 de abril de 2010

Da série: Jornala, jornalista!

Após as chuvas que assolaram a região metropolitana do Rio de Janeiro nesta última semana, uma repórter foi cobrir o deslizamento em um dos tantos morros que foram açoitados na tragédia. E, empunhando o microfone como quem empunha uma espada na hora da luta, se aproximou de um senhor de aproximadamente 60 anos para entrevistá-lo. Começou a interlocução com a seguinte pergunta:

- E aí, senhor? Muita chuva?

Da série: Conversando na Janela

Episódio: Comunismo.

- João, me dá uma bolinha de queijo aí.
- Aaaaah, só tem duas.
- Então, me dá uma.
- Mas só tem duas.
- Então, me dá uma e fica com uma.
- Pode ser uma partida?
- Pô, João, te comprei um monte de joguinho.
- Tá booooooom...

Poema das medidas

Não quero que você sinta nada por ninguém,

Se não for sentir por mim,
Quero seu cerebelo cego,
Seu aurículo direito manco,
Seu décimo brônquio mudo,
Seu frio na barriga surdo.

Quero um seco na sombra do seu pranto.

Por mim, tédio ou ansiedade,
Qualquer medida de saudade.
Por mim, nojo ou tesão,
Qualquer medida de paixão.
Por mim, admiração ou rancor,
Qualquer medida de amor.

Por mim, e por mais ninguém,
Qualquer medida de zero a cem.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Dia do bibliotecário

Eu naveguei no breu da madrugada,
Aguardando o braço forte do sol.
Porque depois de 180 dias ao Norte,
Me pregou uma peça a porra do farol.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

A morte de BlauBlau

Meu amor foi dormir às cinco e prolongou o sono pela manhã inteira. E eu arrumei a casa, botei a carne na brasa, pois não estou de bobeira. Ao despertar, lhe dei a má notícia, fato credo com o qual ela não sonhou. Maria Sylvia, você tem que ser forte: no silêncio da madrugada, sem deixar testamento ou carta chorada, seu ursinho BlauBlau se pendurou num cadarço de tênis e, deprimido, foi lá e se matou!

domingo, 8 de novembro de 2009

Tamojunto

No bafo do meu quartoforno
Minha letra já está calada.
A fita crepe que lhe emudece
É a cana da madrugada.

E a insônia que nos excita
É putaria de tanta lisura.
É a vontade que nos liberta
Do resto pouco de ditadura.

domingo, 1 de novembro de 2009

Vai bem? Vai a pé ou vai de trem?

por Chico Ollivetti

Como todos sabem, além de apicultor, torcedor fanático do São Cristóvão e jornalista nas horas vagas, também desempenho uma outra função: sou contínuo na Câmara de Vereadores do Município de Duque de Caxias na Baixada Fluminense. Aliás, poderia até dizer que esta é a minha primeira profissão, tendo em vista que as pensões responsáveis pelo sustento dos meus dois filhos e da minha ex-mulher, a piranha da Fátima (Josué e Sara, desculpem o papai, mas não deu...), são provenientes dos descontos em folha que recebo no contracheque desta minha ocupação. Pois bem...

Na semana retrasada, embarquei no Niterói-Caxias regressando ao meu querido e amado município após um dia de trabalho fatigante. Para quem acha que Caxias fica no c... do mundo, eu comunico: senhores, minha viagem de Caxias até o Terminal Rodoviário João Goulart levou nada mais do que 34 minutos. Por acaso, cronometrei. E assim que cheguei, encaminhei-me à plataforma C do Terminal pensando "Vou cronometrar agora o tempo de viagem do Centro de Niterói até minha casa". Adentrei no ônibus da viação Araçatuba, linha 47 (Centro – Vital Brazil). Dizem os especialistas em trânsito (no caso, cobradores e pilotos, pois mais especialistas que estes não há) que, em condições normais de trânsito, a viagem do Centro ao Vital Brazil não leva mais do que 15 minutos para ser concluída. Atenção, leitores! Eu disse 15 minutos. Pois bem... Peguei o dito cujo 47 às 20 horas e exatos 12 minutos e, pasmem, às 21 horas e 1 minuto estava eu descendo no ponto em frente a minha casa, que fica entre o Posto de Saúde Sérgio Arouca e o Clube Pioneiros. Foram 49 minutos, leitores!!! 49 minutos do Terminal Rodoviário até o ponto da minha casa. 34 minutos a mais do que numa viagem normal e 15 minutos a mais do que o trajeto Caxias-Niterói que, apesar de pegar a via seletiva, encara nada mais e nada menos do que a Rodovia Washington Luís, a Av. Brasil e a Ponte Presidente Costa e Silva. É o fim da picada!

Na semana passada, o prefeito Xorxinho e o ex-prefeito de Curitiba Jaime Lerner apresentaram uma nova proposta para melhorar nosso trânsito. E adivinhem qual é a espinha dorsal do plano? Aumentar o sistema de transporte através das vias marítimas! Não brinca? Por 100 mangos eu fazia esse projeto, pô! O plano do ex-prefeito curitibano prevê mais três ligações marítimas através das tradicionais barcas (Jurujuba-Ramos, Icaraí-Leblon e Barreto-Magé), um sistema de gôndola-táxi, inspirado nas gôndolas venezianas e nos mototáxis do Morro do Castro, um trem-bala ligando o Ponto Cem Réis à Caixa D'água e uma ciclovia ligando a UFF ao Rio do Ouro. Genial, não acham? Eu não sei de vocês, mas eu estou cheio dessas soluções mirabolantes para o trânsito da nossa cidade. E não é só o trânsito que me tira do sério. Anteontem mesmo fui assaltado em frente ao restaurante Lamole da praia de Icaraí. Por sorte, estava apenas com R$ 10 reais na carteira, um maço de cigarros e meu cachorro Cauby. Os marginais levaram os R$ 10 reais e os cigarros, mas, graças a Deus, deixaram o Cauby.

Enfim, leitores, escrevo tudo isso para protestar e dizer que, nas próximas eleições, só voto se for em mim mesmo ou se o candidato for realmente uma pessoa preparada e preocupada com o bem-estar da população. Já tenho alguém em mente. Estou trabalhando para convencer a Dona Zenaide, a querida Dona Zezé, síndica do tradicional edifício Moema, a enfrentar esse desafio. Ela é o perfil ideal para colocar novamente Niterói nos eixos. O nome dela é trabalho e ela tem aquilo roxo! Há tempos que nossa cidade está com um sorriso meio banguela. Se ela aceitar, já tenho até o slogan da campanha: Dona Zenaide é gente pura, Niterói precisa de uma dentadura! E vamo que vamo, Dona Zezé!