sexta-feira, 14 de maio de 2010

A gota d'água

Por Chico Ollivetti

Na semana passada, um amigo meu que trabalha na FAN – Joubert, aqui da redação do jornal, dirá que é a Fundação dos Animais de Niterói, mas eu corrijo-lo-ei: é a nossa gloriosa Fundação de Arte de Niterói, a única. Enfim... Esse meu nobre amigo que trabalha em um dos diversos setores da casa (acho que ele é assessor de acesso ao palco – um prato cheio para uma prova concursal de língua portuguesa) me ligou, tenso, pedindo uma orientação. Não vou dar o nome do santo, mas vou contar o milagre:

- Fala, Ollivetti.
- Quem é?
- Sou eu, pô.
- Fala .
- Pára de brincadeira, o assunto é sério.
- O que houve?
- Recebemos uma ligação do Chico Buarque aqui na FAN.
- Que isso, deve ser trote...
- Parece que não.
- Por que você acha que não é trote?
- Porque ele tava cobrando um cachê de um show que ele fez na antiga Cantareira em 2001.
- Ué, mas o Chico Buarque nunca fez show nenhum na Cantareira.
- Fez sim, no antigo evento Palco Livre.
- Você viu?
- Não, mas conheço uma pessoa que tem um amigo que viu.
- Isso é lenda.
- Não é lenda não.
- Mas o cara não toca em lugar nenhum mais, só escreve.
- Pára de brincadeira, o assunto é sério.
- É sério por que?
- O cara tá cobrando juros.
- Deve tá passando fome...
- Pô, Ollivetti, eu falando sério e você aí fazendo graça?
- Você quer que eu faça o quê?
- Você tem noção da magnitude do problema?
- Eu não.
- Você já imaginou quanto deve ser o cachê do Chico Buarque?
- Não consigo imaginar nem o cachê da Maria Gadú.
- Isso vai quebrar a gente. Com juros então...
- Mas você tá com preocupado com o quê, afinal?
- Rapaz, você sabe quanto é o orçamento da FAN?
- Acho mais fácil descobrir o cachê da Maria Gadú.
- Você é que é feliz com seu estável de contínuo em Caxias...
- Calma, rapaz...
- Como é que eu vou pagar a escola do Joílton?
- Calma, não adianta se preocupar por antecipação.
- O orçamento da FAN não deve chegar a um quinto do cachê do Chico.
- Com juros então...
- Pô, Ollivetti!

Poema da matemática simples

Pra medir essa coisa de amor
Vou juntar tudo que sei e o que não sei:
Nem você resolveu se enxotar por hora
E nem eu te enxotei.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Poema da oração vencida

Todo dia eu peço a Deus
Que me venha com um romance:
Deusin, me mande uma mulher
Que pelo menos me amanse?

E nesse amanso relaxado
De herança só o cheiro.
Deusin, me mande uma mulher
Que me dezembreajaneiro?

domingo, 25 de abril de 2010

Da série: Conversando na Janela

Episódio: Chantagem é inata?

- Pai, pega minha bola que caiu ali em cima da garagem da casa da Tânia?
- Ih, João... a bola tá muito lá embaixo, não vai ter como pegar.
- Mas eu vou ficar sem a minha bola do Botafogo?
- Ué, você quer que eu faça o quê? Não tem como pegar...
- Aaaah, e eu vou ficar sem minha bola? Você vai querer que eu vire Flamengo?

Da série: Conversando na Janela

Episódio: Vovô viu a uva.

Assistindo a final do Paulistão entre Santo André e Santos:

- Pai, quem tá jogando com a mesma camisa do Botafogo?
- O Santos.
- Então o Botafogo vai ter que mudar de camisa, né?
- Não, João, o Santos é de São Paulo o Botafogo é do Rio de Janeiro. São camisas parecidas, não são iguais.
- E quem é o outro time?
- É o Santo André.
- Mas quem é o outro time?
- Já falei. É o Santo André.
- Não tô perguntando do jogador...
- E eu não estou falando do jogador. O time é que se chama Santo André.
- Mas porque que tá "sta" na televisão?
- Porque é o nome do time.
- ?
- Santos é o "san", Santo André é o "sta".
- Mas quando tem jogo do botafogo aparece bê, ó, tê. Quando tem jogo do Flamengo aparece éfi, éli, a.
- O "s" é do "San" e o "t" é do "to" e o "a" é do "André": San-To André.
- Mas não pode, tinha que ser "san".
- Mas aí vai ficar igual ao Santos. Como você vai saber quem tá ganhando o jogo?
- Ah, é.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Da série: Conversando na Janela

Episódio: O melhor amigo do homem.

- Alô.
- Oi, pai.
- Oi, meu filho.
- Anota um número aí.
- Calma aí... Pode falar.
- Dois, seeete, um, dois, três, oito, três, um. Essa moça tá vendendo um cachorrinho.
- E?
- É pra você ligar pra ela e comprar um cachorrinho.
- Tá bom.
- Então tá. Tchau.

Dois minutos depois.

- Oi, pai.
- Oi, meu filho.
- Já comprou o cachorrinho?

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Da série: Jornala, jornalista!

Após as chuvas que assolaram a região metropolitana do Rio de Janeiro nesta última semana, uma repórter foi cobrir o deslizamento em um dos tantos morros que foram açoitados na tragédia. E, empunhando o microfone como quem empunha uma espada na hora da luta, se aproximou de um senhor de aproximadamente 60 anos para entrevistá-lo. Começou a interlocução com a seguinte pergunta:

- E aí, senhor? Muita chuva?