quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Assalto ao trem pagador

Não te quero
Nem menos, nem mais
Cônjuge ou esposa,
Noiva ou namorada.
Não te quero menos
Jacutinga ou Bacante.
Não pura e mais amante.

Vamos por fim a essa tola tradição.

Te quero mais muito
Sempre, e sem luto,
De hoje em diante,
E a partir de então.

Te quero vibrante,
Sem medo e sem farsa,
Assaltando o mundo,
Ó, minha comparsa!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Sambaqui

Você cavou, nem fez esforço,
Achou um sambaqui em mim.
E misturou o pó cinza do meu corpo
Com seu pó roxo de pirlimpimpim.

Escovou meus medos,
Encontrou meus segredos,
Tocou memória
E me amou sem dó.
Desvelou as pistas do meu antemeio
E cultuou o que tenho de melhor.

(E de pior)

E juntou os cacos.
E me restaurou ferido.
Fez do seu ventre um lugarmuseu.

E me deu vida,
Divulgou meus rastros
Sendo a casa do meu novo eu.

(Que é seu)

sábado, 22 de maio de 2010

Poema de isopor

Sua prega, seu tchau me acega,
Você que ensaia,
Mas eu é que vou.

E eu, que moro na hora,
Te espero de agora
No meu isopor.

Canastra, eu pago à mesa,
Te devo cerveja,
Na mão um curinga.

Te amarro, te faço trabalho
Te espero, marcado,
Da sua curimba.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

A gota d'água

Por Chico Ollivetti

Na semana passada, um amigo meu que trabalha na FAN – Joubert, aqui da redação do jornal, dirá que é a Fundação dos Animais de Niterói, mas eu corrijo-lo-ei: é a nossa gloriosa Fundação de Arte de Niterói, a única. Enfim... Esse meu nobre amigo que trabalha em um dos diversos setores da casa (acho que ele é assessor de acesso ao palco – um prato cheio para uma prova concursal de língua portuguesa) me ligou, tenso, pedindo uma orientação. Não vou dar o nome do santo, mas vou contar o milagre:

- Fala, Ollivetti.
- Quem é?
- Sou eu, pô.
- Fala .
- Pára de brincadeira, o assunto é sério.
- O que houve?
- Recebemos uma ligação do Chico Buarque aqui na FAN.
- Que isso, deve ser trote...
- Parece que não.
- Por que você acha que não é trote?
- Porque ele tava cobrando um cachê de um show que ele fez na antiga Cantareira em 2001.
- Ué, mas o Chico Buarque nunca fez show nenhum na Cantareira.
- Fez sim, no antigo evento Palco Livre.
- Você viu?
- Não, mas conheço uma pessoa que tem um amigo que viu.
- Isso é lenda.
- Não é lenda não.
- Mas o cara não toca em lugar nenhum mais, só escreve.
- Pára de brincadeira, o assunto é sério.
- É sério por que?
- O cara tá cobrando juros.
- Deve tá passando fome...
- Pô, Ollivetti, eu falando sério e você aí fazendo graça?
- Você quer que eu faça o quê?
- Você tem noção da magnitude do problema?
- Eu não.
- Você já imaginou quanto deve ser o cachê do Chico Buarque?
- Não consigo imaginar nem o cachê da Maria Gadú.
- Isso vai quebrar a gente. Com juros então...
- Mas você tá com preocupado com o quê, afinal?
- Rapaz, você sabe quanto é o orçamento da FAN?
- Acho mais fácil descobrir o cachê da Maria Gadú.
- Você é que é feliz com seu estável de contínuo em Caxias...
- Calma, rapaz...
- Como é que eu vou pagar a escola do Joílton?
- Calma, não adianta se preocupar por antecipação.
- O orçamento da FAN não deve chegar a um quinto do cachê do Chico.
- Com juros então...
- Pô, Ollivetti!

Poema da matemática simples

Pra medir essa coisa de amor
Vou juntar tudo que sei e o que não sei:
Nem você resolveu se enxotar por hora
E nem eu te enxotei.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Poema da oração vencida

Todo dia eu peço a Deus
Que me venha com um romance:
Deusin, me mande uma mulher
Que pelo menos me amanse?

E nesse amanso relaxado
De herança só o cheiro.
Deusin, me mande uma mulher
Que me dezembreajaneiro?

domingo, 25 de abril de 2010

Da série: Conversando na Janela

Episódio: Chantagem é inata?

- Pai, pega minha bola que caiu ali em cima da garagem da casa da Tânia?
- Ih, João... a bola tá muito lá embaixo, não vai ter como pegar.
- Mas eu vou ficar sem a minha bola do Botafogo?
- Ué, você quer que eu faça o quê? Não tem como pegar...
- Aaaah, e eu vou ficar sem minha bola? Você vai querer que eu vire Flamengo?